Salvador, 16 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Janeiro Branco: saúde mental é pilar da dignidade humana e da produtividade social

Para o defensor público André Naves, o debate sobre saúde mental deve superar o estigma e ser tratado como prioridade na economia política e nos direitos fundamentais

Neste mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, a campanha Janeiro Branco ganha um novo contorno sob a análise do Defensor Público Federal André Naves. Especialista em Direitos Humanos e Economia Política, Naves alerta que o equilíbrio emocional não é apenas uma questão clínica individual, mas um imperativo para a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva e economicamente sustentável.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil é o país com a maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo. No entanto, o acesso ao tratamento e, principalmente, a ambientes que não adoeçam os indivíduos, ainda é um privilégio de poucos.

O custo da exclusão

Para André Naves, existe um nexo intrínseco entre a saúde mental e as barreiras sociais. “A exclusão social, o capacitismo e a insegurança econômica são vetores diretos de adoecimento mental. Quando negamos a uma pessoa o direito ao trabalho digno ou à acessibilidade, estamos ferindo sua integridade psíquica. A saúde mental é o alicerce que permite ao indivíduo exercer sua cidadania de forma plena”, afirma o defensor público.

Sob a ótica da Economia Política, Naves destaca que o descaso com o tema gera prejuízos bilionários. O absenteísmo ( a ausência não planejada ou recorrente de um colaborador no trabalho – faltas, atrasos, saídas antecipadas), a queda de produtividade e os custos previdenciários decorrentes de transtornos mentais revelam que investir em saúde mental é, também, uma estratégia de desenvolvimento nacional.

Além do “Setembro Amarelo” e “Janeiro Branco” O defensor público defende que a conscientização precisa se transformar em mudanças estruturais nas organizações e no Estado:

Políticas públicas: fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e integração da saúde mental em todas as esferas de atendimento público.

Cultura organizacional: combate ao burnout e ao assédio, promovendo ambientes de trabalho que respeitem a neurodiversidade e os limites humanos.

Educação inclusiva: preparar as escolas para acolher as diferenças, combatendo o bullying e o isolamento desde a infância.

“Não podemos aceitar uma inclusão performática que ignora o bem-estar subjetivo. A verdadeira justiça social acontece quando cada indivíduo se sente seguro e pertencente, com sua dignidade mental preservada”, pontua Naves.

Para saber mais sobre o trabalho de André Naves, acesse o site andrenaves.com ou acompanhe pelas redes sociais: andrenaves.def.

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