Salvador, 25 de fevereiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Março Lilás: apesar de evitável, câncer de colo de útero é o segundo mais incidente entre as mulheres do Nordeste

A campanha de combate ao câncer de colo de útero (ou câncer cervical) busca conscientizar sobre a importância dos exames de rastreamento e da vacinação HPV, aliados para a estratégia global de erradicação do câncer de colo de útero até 2030

No Brasil, o câncer de colo de útero é o terceiro mais incidente em mulheres. No Nordeste, é o segundo, ficando atras apenas do câncer de mama (sem contar o câncer de pele não melanoma). De acordo com estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o país deve registrar 19.310 novos casos da doença em 2026. Na região Nordeste, a estimativa é de que 6.130 novos diagnósticos do tumor sejam registrados a cada ano. A Bahia, por sua vez, lidera o número de novos diagnósticos da doença na região, com estimativa de 1370 novos casos. “Esses números refletem a desinformação e a desigualdade de acesso aos exames de rastreamento, o que acaba por desencadear muitos casos de diagnóstico tardio de uma doença que é completamente evitável”, explica a oncologista Luciana Landeiro, da Oncoclínicas na Bahia. “O Março Lilás é uma oportunidade para reforçar a mensagem da prevenção através dos exames de rastreamento e da vacina HPV”, enfatiza a especialista

Cerca de 90% dos casos da doença, também conhecida como câncer cervical, estão relacionados a infecção persistente por determinados tipos de HPV (Papilomavírus humano), vírus transmitidos em relações sexuais sem proteção, principalmente o HPV-16 e o HPV-18, considerados de alto risco oncogênico. Segundo o oncologista Daniel Brito, da Oncoclínicas, “a imunização contra o HPV é a principal aliada para prevenção do câncer de colo de útero, além de prevenir cânceres de vulva, vagina, ânus, pênis, lesões que podem evoluir para câncer, tumores de orofaringe e outras neoplasias de cabeça e pescoço associadas ao Papilomavírus Humano”.

A oncologista Camila Kelly Chiodi, da Oncoclínicas, chama atenção para outros fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença. “Há um risco aumentado para mulheres fumantes infectadas pelo HPV. O cigarro, o sexo sem proteção, a higiene íntima inadequada e a iniciação sexual precoce são fatores que também podem aumentar o risco de desenvolvimento do câncer de colo de útero”, destaca a especialista.

Estudos comprovam eficácia da vacina

Inúmeros estudos internacionais apontam que a vacina contra o HPV é capaz de reduzir em até 87% o risco do desenvolvimento do câncer de colo de útero, especialmente em mulheres que foram imunizadas na adolescência. A imunização também é capaz de reduzir em 62% a mortalidade por câncer de colo de útero.

Um estudo realizado, entre 2019 e 2023, por pesquisadores da Fiocruz, com apoio da Royal Society e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), avaliou dados do Sistema Único de Saúde (SUS) de mais de 60 milhões de mulheres a cada ano, com idade de 20 a 24 anos, para medir o impacto da vacinação para HPV no país.

Publicada na Revista The Lancet, a pesquisa concluiu que a imunização reduziu em 58% os casos de câncer do colo do útero e em 67% as lesões pré-cancerosas graves

A oncologista Daniela Barros, da Oncoclínicas destaca a importância de conscientizar a população e, em especial os pais, sobre a necessidade de imunizar meninas e meninos. “A vacinação de meninas e meninos na idade entre 9 e 14 anos, antes de se tornarem sexualmente ativos, reduz a transmissão do vírus e protege contra o câncer de colo de útero, sendo uma estratégia de saúde pública fundamental para erradicação da doença”, ressalta. “Se a cobertura vacinal for alta e a imunização acontecer na idade ideal, é possível pensar em erradicação”, acrescenta a médica.

Avanço no rastreamento

Capaz de identificar 14 genótipos do HPV, o teste molecular DNA-HPV, que já é usado em consultórios e está sendo implementado no Sistema Único de Saúde (SUS), traz um avanço considerável para a prevenção do câncer de colo de útero. O teste é capaz de detectar, com precisão e de forma precoce, a presença do vírus HPV no colo do útero mesmo antes que ele cause lesões ou alterações celulares. “Com o teste molecular, é possível prever o risco da paciente desenvolver um câncer de colo de útero e adotar as medidas preventivas”, explica a oncologista Hamanda Nery, da Oncoclínicas

Considerado mais eficaz e preciso que o exame citopatológico (Papanicolau), o teste de DNA-HPV é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como exame primário para diagnosticar infecções pelo HPV. “O teste tem uma sensibilidade diagnóstica até 95% maior que o exame preventivo tradicional, então sua implementação é uma conquista na luta pela erradicação do câncer de colo de útero”, conclui Luciana Landeiro.

Recomendando pelo Ministério da Saúde para mulheres entre 25 e 64 anos, o teste deve ser repetido a cada 3 ou 5 anos, na ausência de infecção pelo HPV.

Veja também

m-trindade-urk3d7lcn6t0
Calçada: ator é morto a tiros em frente a família
O ator Moisés Trindade foi morto a tiros na noite de segunda-feira (23), no bairro da Calçada, em Salvador,...
realdinheiro_moeda_1310202269
Vendas do Tesouro Direto batem recorde em janeiro
Volume vendido ficou em R$ 12,02 bilhões no mês passado As vendas de títulos públicos a pessoas físicas...
Ivete
Ivete mostra corte no rosto e conta que desmaiou após infecção intestinal
Após dar entrada em hospital, Ivete Sangalo se pronunciou sobre seu estado de saúde nesta quarta-feira...
Chacina do Tapanã
Chacina do Tapanã: Brasil é notificado por condenação internacional
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou o recebimento da sentença proferida pela Corte...

Opinião

clube-da-esquina
Os sonhos não envelhecem: uma análise de “Clube da Esquina” e a resistência contra a Ditadura Militar