Mastologista do HFBCCC alerta que medo e insegurança podem fazer com que sinais suspeitos sejam deixados para depois
Há um espaço de tempo entre a mulher perceber que algo mudou em seu corpo e decidir procurar um médico. No entanto, é bem nesse intervalo, aparentemente inofensivo, que dois dos problemas mais preocupantes relacionados ao câncer de mama podem se instalar: o atraso na investigação e o diagnóstico tardio.
Um nódulo, alteração na pele, retração do mamilo ou mudança no formato da mama podem ser percebidos facilmente. Mas, o medo de receber uma notícia ruim, a falta de tempo, a crença de que não deve ser nada ou mesmo a ausência de dor podem fazer com que a investigação seja adiada. O problema, segundo especialistas do Hospital Estadual de Oncologia Alto Sertão (HEOAS), administrado pelo Hospital Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer (HFBCCC), e que foi incluído pela Secretaria da Saúde (SESAB) entre as referências para tratamento oncológico, inclusive para câncer de mama, é que, quando se trata de câncer, esperar os sintomas desaparecerem pode significar perder uma oportunidade de identificação da doença ainda em estado inicial, quando o tratamento e a cura são mais prováveis.
Para o Dr. Fábio Veloso Alexandrino, diretor médico do HEOAS e oncologista, o primeiro ponto a ser desconstruído deve ser a ideia de que investigar uma alteração significa necessariamente receber um diagnóstico de câncer. “Muitas mulheres adiam a investigação porque associam imediatamente a descoberta de um nódulo ou outra alteração ao câncer e têm medo do resultado. No entanto, investigar não significa confirmar a doença, mas descobrir o que está acontecendo e, se houver qualquer suspeita, agir no momento quando as possibilidades de tratamento são maiores”, explica ao lembrar que o medo não pode ser maior que a necessidade de esclarecer o sinal suspeito.
Nesse contexto, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) recomenda o rastreamento mamográfico a mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Mas a recomendação não significa que uma mulher fora dessa faixa etária deva esperar chegar aos 50 anos para procurar atendimento diante de um sinal suspeito. Mulheres com alterações nas mamas devem ser avaliadas independentemente da idade e o mais rápido possível.
“Existe uma diferença entre fazer um exame de rotina e investigar um sintoma. Se a mulher percebe uma alteração nova e persistente na mama, ela deve realizar uma avaliação médica o mais cedo possível, quando há uma maior possibilidade de encontrar a doença em uma fase inicial, com um tratamento menos agressivo e resultados mais favoráveis”, destaca o especialista ao alertar que as mulheres devem conhecer suas mamas e procurar avaliação profissional ao perceber qualquer alteração persistente ou suspeitas.
Segundo estimativa do INCA para 2026, a Bahia vai registrar 4.480 novos casos de câncer de mama. Desses, 1.340 somente em Salvador. Enquanto a taxa bruta estadual é de 58,54 casos por 100 mil mulheres, na capital, a incidência chega a 94,41 por 100 mil mulheres. Até setembro de 2025, dados da Secretaria da Saúde do Estado (SESAB) registraram 2.842 internações e 912 mortes por câncer de mama no estado.
Sobre o HFBCCC
A Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer é uma instituição sem fins lucrativos, dedicada à assistência, inovação, ensino e pesquisa em saúde. Criada em 1990 para apoiar a Unidade de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES/UFBA), a Fundação consolidou-se como uma das principais referências em assistência cardiovascular da Bahia, ampliando sua atuação ao longo das últimas décadas para outras especialidades médicas e para a gestão hospitalar de unidades públicas e privadas. Hoje, mantém o Hospital Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer (HFBCCC), em Salvador e Lauro de Freitas, além de atuar na administração de outras unidades de saúde, como o Hospital Estadual de Oncologia Alto Sertão – HEOAS (Caetité-BA); o Hospital Ana Mariani (Barra-BA), além do serviço de Hemodinâmica no Hospital de Urgência de Sergipe – HUSE (Aracaju-SE), onde leva atendimento especializado. Reconhecida pela excelência clínica, pelo investimento permanente na formação de profissionais de saúde e pela produção científica, a instituição alia tecnologia, inovação e atendimento humanizado, acumulando certificações de qualidade e reconhecimentos que reforçam seu compromisso com a segurança do paciente, a responsabilidade social e a melhoria contínua da assistência prestada aos baianos.
