Salvador, 5 de novembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Parto humanizado e anestesia: alívio da dor deixa de ser visto como obstáculo ao nascimento

Cada vez mais presente nos planos de parto, a analgesia reduz o sofrimento da gestante sem impedir sua participação ativa no nascimento

Durante muito tempo, a anestesia foi vista como incompatível com o conceito de parto humanizado. Mas esse cenário vem mudando. Com mulheres cada vez mais informadas e protagonistas das decisões sobre o próprio parto, especialistas apontam que a analgesia e a humanização podem caminhar juntas, garantindo conforto, autonomia e segurança para a gestante.

De acordo com o anestesiologista Cezar Fontenelle Neto, diretor de Tecnologia e Informação da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas da Bahia (Coopanest-BA), o principal objetivo da analgesia é proporcionar conforto e reduzir o sofrimento durante o trabalho de parto, permitindo que a mulher permaneça consciente, participativa e segura durante o nascimento do bebê.

“A analgesia utilizada no parto é aplicada em doses baixas, justamente para preservar a mobilidade e a sensibilidade da gestante. O intuito é aliviar a dor sem impedir que ela viva esse momento de forma ativa”, explica o especialista.

Segundo o médico, ainda existe muita confusão sobre os diferentes conceitos relacionados ao parto. “O parto normal refere-se à via vaginal e pode incluir intervenções médicas, como indução, monitoramento e analgesia. Já o parto natural ocorre sem intervenções para aliviar ou acelerar o processo. O parto humanizado, por sua vez, está relacionado ao acolhimento, à escuta e ao respeito às escolhas da mulher, independentemente da via escolhida”, afirma.

“No parto humanizado, a prioridade é garantir que a mulher seja ouvida, respeitada e participe das decisões. Isso vale tanto para um parto vaginal quanto para uma cesariana, desde que haja informação, consentimento e cuidado”, destaca.

Tipos de analgesia

Entre os principais métodos de analgesia utilizados durante o trabalho de parto estão a raquianestesia, a peridural e o duplo bloqueio com cateter. Cada técnica possui indicações específicas e níveis diferentes de duração e mobilidade para a gestante.

“A peridural, por exemplo, permite maior movimentação da mulher durante o trabalho de parto, enquanto a raquianestesia costuma ter efeito mais rápido. Já o duplo bloqueio combina as duas técnicas e pode ser indicado para mulheres com maior sensibilidade à dor ou em trabalhos de parto mais prolongados”, informa Cezar.

Segundo o anestesiologista, a presença do anestesiologista vai além da aplicação da anestesia. “O anestesiologista acompanha a gestante em um dos momentos mais intensos da vida dela. Nosso papel é oferecer conforto, segurança e acolhimento, ajudando a tornar essa experiência mais tranquila e positiva”, reforça.

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