Salvador, 19 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Perda auditiva é o principal fator de risco modificável para demência, alerta estudo

Mais de 40% das pessoas acima de 50 anos têm algum grau de deficiência auditiva, e diagnóstico precoce pode reduzir impacto cognitivo

Pouca gente sabe, mas a perda auditiva está diretamente associada ao risco de desenvolver demência. Estudos apontam que a deficiência auditiva é o fator de risco mais importante e modificável para a doença, superando até tabagismo e depressão. De acordo com pesquisas citadas pela Dra. Kátia Virginia, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco, ela está relacionada a até 8% dos casos de demência no mundo.

“A deficiência auditiva afeta mais de 40% da população com idade igual ou superior a 50 anos e cerca de 71% dos indivíduos acima de 70 anos. É o fator mais proeminente para demência entre os 12 fatores modificáveis já identificados”, explica a especialista.

A médica destaca que a dificuldade de ouvir impacta diretamente o funcionamento cerebral. “A perda auditiva provoca atrofia em áreas do cérebro responsáveis por processar sons, como o lobo temporal, e causa sobrecarga em outras regiões, que precisam se adaptar para suprir o déficit. Isso leva à sobrecarga cognitiva, acelera o envelhecimento cerebral e aumenta o risco de doenças como Alzheimer”, afirma.

Entre as causas da perda auditiva estão fatores genéticos, infecções durante a gestação, exposição a sons intensos, doenças sistêmicas como diabetes e hipertensão, uso de medicamentos ototóxicos e, principalmente, o envelhecimento natural das células sensoriais. “É importante investigar a audição desde cedo. A triagem auditiva neonatal, obrigatória por lei em todo recém-nascido, conhecida como “teste da orelhinha”, visa rastrear precocemente a perda auditiva e possibilitar intervenção precoce, prevenindo atrasos de linguagem e fala. Nos adultos, a avaliação deve começar a partir dos 40 anos, mesmo sem queixas”, orienta.

Segundo a especialista, os sinais que merecem atenção incluem dificuldade para compreender conversas, aumento excessivo do volume da televisão, isolamento social, irritabilidade, ansiedade e presença de zumbido. “Muitas vezes o paciente passa a responder de forma desconexa, porque não ouviu bem, e acaba se isolando por não conseguir acompanhar interações. Esse isolamento, somado à privação auditiva, acelera ainda mais o declínio cognitivo”, alerta a Dra. Kátia.

O uso de aparelhos auditivos é apontado como uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de demência. “O aparelho melhora a comunicação, devolve estímulos sonoros ao cérebro e ajuda a evitar o desgaste cognitivo. Associado à terapia fonoaudiológica, proporciona reabilitação auditiva e melhora significativa da qualidade de vida”, explica.

O diagnóstico precoce é fundamental tanto em crianças quanto em adultos. “Na infância, ele possibilita o desenvolvimento adequado da linguagem e da socialização. Já no idoso, ajuda a prevenir doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson, e a reduzir problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade”, reforça a médica.

A mensagem final da especialista é clara: “Procure ajuda o quanto antes. A perda auditiva pode ter tratamento mais simples se identificada cedo. Os estímulos sensoriais – visão, audição, tato, olfato e paladar – são vitais para mantermos a qualidade de vida e retardarmos o envelhecimento cerebral. Ignorar a perda auditiva é abrir caminho para o declínio cognitivo precoce”, finaliza a Dra. Kátia Virginia, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

unnamed (2)
Matrícula para ingresso de novos estudantes do Ensino Médio na rede estadual começa nesta segunda (19)
Estudantes de qualquer série do Ensino Médio que desejam ingressar em uma escola da rede estadual de...
retrospectiva74
Entenda as liquidações do Banco Master e da Reag
Cerca de 1,6 milhão de clientes foram afetados pelas irregularidades As liquidações do Banco Master,...
o-ultimo-azul-rodrigo-santoro-denise-weinberg_copiar
Streaming Tela Brasil tem lançamento previsto para este trimestre
Plataforma está em fase final de testes, diz nota do MinC O Ministério da Cultura (MinC) esclareceu,...
VIC
Pode pedir música no Fantástico? Vitória empata terceira seguida, dessa feita contra o Porto
Terceira rodada do Baianão e o Vitória continua sem vencer. Também continua sem perder. Pelo menos, dessa...

Opinião

clube-da-esquina
Os sonhos não envelhecem: uma análise de “Clube da Esquina” e a resistência contra a Ditadura Militar