Salvador, 9 de setembro de 2026
Editor: Chico Araújo

População lota as ruas do Centro Histórico de Salvador para celebrar a Independência do Brasil na Bahia

Uma multidão tomou as ruas do Centro Histórico de Salvador na manhã desta quinta-feira (2) para celebrar o momento mais importante do calendário cívico do estado. A celebração pelo 2 de Julho, data da Independência do Brasil na Bahia, atraiu um público de diversas idades e diferentes bairros da capital baiana. Muitos se reuniram no entorno dos carros do Caboclo e da Cabocla para reverenciar os heróis da luta pela liberdade.

O sol ainda nascia nesta quinta quando os primeiros devotos começaram a chegar. Como manda a tradição, os filhos e filhas de santo levaram alfazema, frutas e outros alimentos até os carros para homenagear os Caboclos, pedir bênçãos e celebrar a vitória das tropas baianas contra as forças portuguesas em 1823.

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O ativista Jadson Silva, conhecido no terreiro como Pai Ioiô, contou que participa do desfile há 35 anos. Ele mora em Matatu de Brotas e explicou que, para as religiões de matriz africana, os Caboclos representam espíritos ancestrais que lutaram pela liberdade.

“A nossa independência ainda não acabou. A luta continua, porque ainda são muitas as desigualdades sociais. Nosso pedido aqui é esse. E também relembramos aqueles que lutaram para que nós pudéssemos hoje estar aqui nessa caminhada. O desfile é o fortalecimento da nossa ancestralidade, e que nossa Bahia seja liberta da violência, da falta de educação e da falta de saúde”, disse Jadson.

Houve também quem fizesse a homenagem vestido dos pés até a cabeça. O oficial Diranir dos Santos, 65 anos, foi vestido a caráter. “Somos a glória perene dos soldados brasileiros. Fiz uma referência aos heróis”, afirmou Diranir.

Pedro Raimundo Zambolo tem 66 anos e trabalha há 44 anos no Batalhão Quebra-Ferro, responsável por proteger e cuidar dos carros dos Caboclos usados no desfile. “Esse ano foi um pouco mais trabalhoso, por conta da Copa do Mundo; tivemos mais demandas, mas a expectativa é a melhor possível, com festa e muita alegria”, disse ele, emocionado.

As homenagens começaram com uma alvorada, seguida pelo hasteamento das bandeiras pelas autoridades, com execução do Hino Nacional pela banda de música da Marinha do Brasil. O desfile começou por volta das 9h, com participação dos Caboclos de Itaparica, fanfarras municipais, estaduais e da Região Metropolitana, filarmônicas e grupos populares.

Desfile – A programação do desfile incluiu uma breve parada em frente ao Convento da Soledade para uma homenagem aos heróis da Independência, outra em frente à Ordem Terceira do Carmo para um pronunciamento, e uma última reverência em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em referência à Irmandade.

No final da manhã, o Caboclo e a Cabocla serão recolhidos nos caramanchões da Praça Thomé de Souza. À tarde, a concentração para o cortejo cívico será às 13h; e a estimativa é de que os carros cheguem ao Campo Grande por volta das 16h. Haverá uma cerimônia cívica no 2º Distrito Naval, às 15h, e um encontro de filarmônicas com o maestro Fred Dantas, das 17h30 às 21h30, no Campo Grande.

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