Especialista esclarece dúvidas sobre implantes e exames de imagem
A presença de próteses de silicone nas mamas ainda gera dúvidas entre mulheres que desejam realizar cirurgias estéticas ou que já possuem implantes. Uma das principais preocupações é a possível relação entre o silicone e o câncer de mama, além dos efeitos das próteses na identificação de nódulos e na realização de exames preventivos, como mamografia e ultrassonografia.
De acordo com as evidências científicas disponíveis, não foi identificada uma associação entre implantes mamários de silicone e o aumento do risco do câncer de mama convencional. Isso, no entanto, não significa que as próteses sejam isentas de riscos. Existem doenças raras associadas aos implantes que merecem atenção, entre elas o linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, conhecido pela sigla BIA-ALCL.
“A doença não é um câncer do tecido mamário, mas um tipo de linfoma que pode se desenvolver na cápsula de tecido cicatricial ou no líquido ao redor da prótese. O risco é maior em implantes com superfície texturizada”, explica a médica Carolina Argolo, coordenadora de Mastologia do Hospital Mater Dei, idealizadora do projeto Seio que Cuido e cofundadora do Instituto Elas.
Próteses provocam ou escondem nódulos?
De acordo com a mastologista Carolina Argolo, a presença do implante não significa que a mulher desenvolverá nódulos, nem impede o aparecimento de alterações mamárias. Nódulos podem ter diferentes causas, desde cistos e fibroadenomas, geralmente benignos, até tumores malignos. Por isso, qualquer alteração nova deve ser investigada, independentemente de a mulher ter ou não prótese.
“Além disso, implantes podem estar associados a complicações próprias, como contratura capsular, que ocorre quando o tecido cicatricial formado ao redor da prótese se torna mais rígido e a comprime. Em situações menos frequentes, podem surgir alterações que exigem investigação específica, incluindo acúmulo persistente de líquido, inchaço, dor ou uma massa próxima ao implante”, esclarece.
A especialista ainda destaca que o surgimento de inchaço persistente, assimetria recente, dor ou nódulo na região da prótese, especialmente anos após a cirurgia, deve motivar avaliação médica. Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas não devem ser ignorados.
Mamografia e ultrassonografia continuam sendo importantes
Mulheres com próteses mamárias devem manter os exames de rastreamento recomendados para sua faixa etária e seu perfil de risco. A mamografia continua sendo um dos principais métodos para detectar precocemente o câncer de mama, mas o implante pode dificultar a visualização de parte do tecido mamário, porque o silicone aparece na imagem e pode encobrir estruturas localizadas atrás da prótese.
Para reduzir essa limitação, o profissional de radiologia pode realizar incidências adicionais, conhecidas como manobras ou incidências de Eklund, nas quais a prótese é deslocada em direção à parede torácica para permitir melhor visualização do tecido mamário. É importante informar ao serviço de imagem sobre a presença dos implantes antes do exame, para que a equipe adote a técnica adequada.
A ultrassonografia também pode ser utilizada para investigar nódulos, avaliar alterações próximas à prótese e complementar a avaliação clínica ou mamográfica quando houver indicação. A escolha entre os métodos depende da idade, dos sintomas, da densidade mamária, do histórico familiar e dos achados clínicos. Em situações específicas, outros exames, como a ressonância magnética, podem ser indicados.
“A prótese de silicone não impede a realização da mamografia, mas pode dificultar a visualização de parte do tecido mamário. Por esse motivo, é importante informar à equipe de radiologia sobre a presença do implante, para que sejam realizadas as incidências adequadas”, ressaltou Carolina Argolo.
Outro ponto importante ressaltado pela mastologista é que os implantes não são dispositivos para a vida inteira. Com o passar dos anos, podem ocorrer rupturas, contratura capsular e outras complicações que demandem acompanhamento ou novas intervenções. “A necessidade de monitoramento da integridade da prótese deve ser discutida com o cirurgião responsável. A recomendação é que mulheres com implantes mantenham o acompanhamento regular”, completa.
