Salvador, 18 de maio de 2026
Editor: Chico Araújo

Roda de conversa em Caps da Liberdade debate violência doméstica e feminicídio

Uma roda de conversa sobre violência doméstica e feminicídio foi realizada nesta quarta-feira (6), no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Caps IA) do bairro da Liberdade, em Salvador. A atividade foi promovida pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), e reuniu mães, familiares e profissionais para discutir o tema e compartilhar experiências.

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) integram a Rede de Atenção Psicossocial e oferecem cuidados especializados em saúde mental. As unidades atendem pacientes com transtornos mentais graves, incluindo crianças e adolescentes, além de casos relacionados ao uso prejudicial de álcool e outras drogas. No caso do Caps IA Liberdade, o foco é o atendimento de crianças e adolescentes em sofrimento mental.

De acordo com a gerente da unidade, Eliane Cristina, a iniciativa surgiu a partir da rotina de atendimentos. “Promovemos uma roda de conversa com mães atípicas e trouxemos a discussão sobre violência doméstica, que é um tema frequente no serviço. O objetivo é oferecer acolhimento às mulheres”, explicou.

A programação incluiu palestras, práticas integrativas, como massagem, auriculoterapia e ventosaterapia, além de um momento de convivência entre as famílias. Pela manhã, participaram como palestrantes a enfermeira Cátia Leite e a psicóloga Nessie Gusmão, ambas da Casa da Mulher Brasileira. À tarde, a atividade contou com a participação da psicanalista Zenaide Batista.

Segundo a gerente, o evento também possibilitou a identificação de situações reais vividas pelas participantes. “Uma mulher relatou ser vítima de violência e compartilhou sua experiência. Esse tipo de espaço permite que essas histórias venham à tona e fortalece a rede de apoio”, disse.

A gestora afirmou ainda que a proposta vai além da violência física. “Muitas mulheres vivenciam violência sem conseguir identificá-la. Existem outras formas, como a psicológica e a patrimonial. A ideia é promover reflexão para que elas reconheçam essas situações”, completou.

A psicanalista Zenaide Batista reforçou a importância do debate e associou o problema a fatores culturais. “Isso tem relação com uma cultura machista, que coloca o homem como detentor do poder. A violência doméstica surge dessas relações desiguais e pode evoluir para o feminicídio”, declarou.

Ela também destacou a necessidade de ampliar a conscientização. “Se a sociedade não fizer a sua parte, esse ciclo continua. Muitas mulheres não percebem que estão sendo agredidas, porque associam a violência apenas à agressão física”, acrescentou a psicanalista.

Inicialmente voltado para mães atípicas atendidas pela unidade, o encontro também contou com a presença de outros familiares, incluindo pais solo. Segundo a organização, a intenção é ampliar o alcance de ações semelhantes e estimular o debate sobre relações familiares, papéis de gênero e formas de enfrentamento da violência.

Os comentários estão desativados.

Veja também

convocacao_ultima_selecao_2025
Ancelotti confirma Neymar e deixa Luciano Juba de fora da Copa do Mundo
Sem muitas surpresas, o técnico da Seleção Brasileira, o italiano Ancelotti divulgou há pouco, no Museu...
morta
Canabrava: casal é encontrado morto dentro de casa; caso é investigado pela Polícia Civil
Um casal foi encontrado morto dentro da casa onde morava, no bairro de Canabrava, em Salvador, no domingo...
Lula
Terras raras: "Brasil não abre mão de sua soberania", diz Lula
Presidente inaugurou linhas de luz síncrotron do Projeto Sirius O presidente da República Luiz Inácio...
Fiocruz
Justiça Federal manda derrubar perfis com desinformação sobre Fiocruz
Ação indica publicação de fake news como dados oficiais da instituição A Justiça Federal do Rio de Janeiro...

Opinião

WhatsApp Image 2026-04-10 at 12.30
Compra de terras por estrangeiros no Brasil: o problema real pode estar no processo, não na lei