Salvador, 8 de setembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Saúde auditiva: a função do cerume e os perigos da haste flexível

Embora seja frequentemente associada à falta de higiene, a produção de cera é a principal barreira de defesa do canal auditivo, explica a Dra. Raquel Rodrigues

A cena é comum na rotina de higiene de milhares de pessoas: após o banho, a utilização de hastes flexíveis com algodão para “limpar” os ouvidos. No entanto, o que muitos consideram um hábito saudável é, na verdade, uma guerra travada contra um dos sistemas de defesa mais eficientes do corpo humano: o cerume, popularmente conhecido como cera de ouvido.

Longe de ser um sinal de sujeira, a cera desempenha um papel crucial na manutenção da saúde auditiva. De acordo com a Dra. Raquel Rodrigues, otorrinolaringologista do HOPE, “o cerume é produzido pelas glândulas sebáceas e ceruminosas na parte externa do canal auditivo e não está ali por acaso. Ele atua como um mecanismo de defesa contra poeira, insetos, bactérias, fungos e umidade”.

A médica cita os benefícios da cera de ouvido para a saúde auditiva:

Lubrificação: Evita o ressecamento, a descamação e a coceira na pele sensível do canal auditivo.
Barreira física: Funciona como uma barreira natural, retendo poeira, sujeira, pelos e micropartículas antes que cheguem ao tímpano.
Ação antibacteriana e antifúngica: Devido ao seu pH levemente ácido e à presença de enzimas, o cerume inibe a proliferação de microrganismos que causam infecções.
“Nosso ouvido possui um sistema de autolimpeza que funciona quando mastigamos ou falamos. Esse movimento natural da mandíbula e o crescimento da pele de dentro para fora empurram gradativamente a cera velha para a borda da orelha, onde ela pode ser lavada e seca com a toalha de forma segura”, explica a otorrinolaringologista.

No entanto, quando esse sistema falha ou o cerume é produzido em excesso, isso pode causar perda de audição temporária, zumbido, dor, tontura e coceira, além de aumentar o risco de irritações e infecções. A Dra. Raquel Rodrigues alerta que “a condição exige atenção e, na grande maioria das vezes, é causada pelo uso de hastes flexíveis e objetos que empurram a cera para o fundo do canal”.

Outros fatores que podem contribuir são o uso constante de fones de ouvido intra-auriculares, o estreitamento do canal auditivo, a alta oleosidade da pele ou o avanço da idade. “Quando envelhecemos, o cerume se torna mais seco e duro, facilitando a formação de rolhas de cera e dificultando o processo de a autolimpeza do canal auditivo”, complementa a especialista.

Ao perceber sintomas de ouvido entupido, é muito importante agendar uma consulta com um otorrinolaringologista, para que seja feita uma avaliação. Se o motivo for excesso de cera, o profissional poderá investigar a causa, orientar sobre os cuidados preventivos e realizar a limpeza de forma segura por meio de lavagem auricular, aspiração ou remoção manual com instrumentos adequados.

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