Salvador, 23 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Saúde bucal pode influenciar o controle da glicemia e dispara alerta para pessoas com diabetes

A relação entre diabetes e saúde bucal merece atenção especial, já que estas condições podem influenciar uma à outra. A doença periodontal, infecção e inflamação que afeta os tecidos responsáveis pela sustentação dos dentes, é mais frequente e pode apresentar maior gravidade em pessoas com diabetes, especialmente quando a glicemia não está bem controlada. Segundo o cirurgião-dentista da Oral Unic, Gabriel Paternostro, essa conexão está diretamente relacionada aos processos inflamatórios do organismo. “O diabetes pode favorecer o desenvolvimento e a progressão da doença periodontal, enquanto a periodontite, por ser uma inflamação crônica, também pode dificultar o controle glicêmico”, explica.

A doença periodontal geralmente começa com o acúmulo de placa bacteriana, que provoca inflamação na gengiva. Em sua fase inicial, chamada gengivite, pode causar vermelhidão, inchaço e sangramento. Quando evolui para periodontite, esta condição atinge os tecidos e o osso que sustentam os dentes, podendo provocar mobilidade e, em casos avançados, perda dentária. Um dos fatores que dificultam o diagnóstico é que a doença nem sempre causa dor. “Sangramento frequente durante a escovação ou no uso do fio dental, mau hálito persistente, retração da gengiva e dentes com mobilidade são sinais que não devem ser ignorados”, alerta Gabriel Paternostro.

A conexão entre as duas doenças ocorre principalmente por meio da inflamação. Em pessoas com diabetes descompensado, a glicose elevada pode alterar a resposta imunológica e tornar o organismo mais suscetível à inflamação periodontal. No sentido inverso, a periodontite pode contribuir para o aumento da inflamação sistêmica e estar associada a maior resistência à insulina, dificultando o controle da glicemia. Estudos clínicos também apontam que o tratamento periodontal pode contribuir para pequenas melhorias nos níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) em pessoas com diabetes e periodontite. “É importante deixar claro que o tratamento da doença periodontal não substitui medicamentos, alimentação adequada, atividade física ou acompanhamento médico. O cuidado odontológico deve fazer parte de uma estratégia integrada de saúde”, ressalta o cirurgião-dentista.

Diante dessa relação, a prevenção e o acompanhamento profissional são fundamentais. Pessoas com diabetes devem manter consultas odontológicas periódicas, cuidar diariamente da higiene bucal e procurar avaliação ao identificar sinais como sangramento gengival. Da mesma forma, pacientes com doença periodontal podem se beneficiar de uma avaliação dos fatores de risco metabólicos, especialmente quando existem outras condições associadas. Para Gabriel Paternostro, a integração entre as diferentes áreas da saúde é essencial. “Cuidar da boca também é cuidar do corpo. A saúde bucal não deve ser vista de forma isolada, principalmente quando falamos de doenças crônicas como o diabetes”, conclui.

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