Salvador, 31 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Setembro Amarelo reforça alerta sobre saúde mental de crianças e adolescentes

Uma criança que para de sorrir, um adolescente que se tranca no quarto, notas que despencam sem explicação: muitas vezes esses sinais são lidos como “fase”, e não como um pedido de ajuda. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), uma em cada seis pessoas entre 10 e 19 anos convive com alguma condição de saúde mental, e metade desses quadros começa até os 14 anos, a maioria sem diagnóstico ou tratamento. No Brasil, um levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) em parceria com o Child Mind Institute, publicado em 2024, estima que cerca de 20% dos jovens de 10 a 19 anos enfrentam algum tipo de transtorno mental, e aponta que as notificações de autolesão entre adolescentes de 10 a 19 anos saltaram de 15 para 133 casos a cada 100 mil habitantes entre 2015 e 2019.

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE em 2024 e divulgada neste ano, mostra que quase três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos relataram tristeza frequente, 42,9% disseram se sentir irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa, e 18,5% afirmaram pensar, sempre ou na maioria das vezes, que a vida não vale a pena ser vivida.

Neste Setembro Amarelo, mês dedicado a ampliar as discussões sobre saúde mental, a psicóloga Amanda Cunha destaca que crianças e adolescentes também sofrem emocionalmente e frequentemente não sabem como dizer isso em palavras. “Criança e adolescente nem sempre conseguem dizer ‘eu tô triste’ ou ‘eu tô ansioso’. Antes mesmo de chegar à fala, o sofrimento aparece no corpo e no comportamento”, explica.

Segundo a psicóloga, entre os sinais que merecem atenção estão mudanças que fogem do comportamento habitual, como ficar mais quieto, irritado ou agressivo, além de alterações no sono e no apetite. Ela cita ainda queda no desempenho escolar, perda de interesse por atividades que antes traziam prazer, isolamento e afastamento de amigos ou da escola, queixas físicas sem causa médica identificada, como dores de cabeça ou de barriga, e medos ou episódios de choro mais intensos diante de situações do dia a dia.

Um sinal isolado, afirma Amanda, não significa necessariamente que a criança esteja enfrentando um problema de saúde mental. O que pede atenção, diz a psicóloga, é a repetição, quando essas mudanças persistem por semanas e passam a interferir na rotina, seja porque a família percebeu que os sinais deixaram de ser passageiros, seja porque a escola notou um comportamento diferente do habitual. “Não precisa esperar piorar pra buscar ajuda”, ressalta. A avaliação profissional, completa, leva em conta a etapa de desenvolvimento da criança ou do adolescente, já que comportamentos esperados em determinada idade podem ser diferentes daqueles que sinalizam sofrimento emocional.

Para Amanda, família e escola têm papel importante nesse processo, já que a criança nem sempre consegue identificar ou comunicar o que sente, e a percepção de quem convive com ela costuma antecipar a identificação de uma mudança. O levantamento do IEPS e do Child Mind Institute, por sua vez, aponta que as intervenções em saúde mental infantojuvenil no Brasil ainda são pouco avaliadas e concentradas nas regiões Sul e Sudeste, o que deixa de fora as necessidades de outras regiões do país, como Norte e Nordeste.

O acompanhamento psicológico de crianças e adolescentes tem características próprias, segundo a psicóloga: como nem sempre conseguem expressar em palavras o que sentem, recursos lúdicos como brincadeiras, desenhos e jogos costumam fazer parte do atendimento. “É assim que a criança consegue mostrar o que sente sem precisar colocar isso em palavras”, explica Amanda. A participação dos adultos também é essencial nesse processo, acrescenta a psicóloga: “Os pais entram junto nesse processo, e a escola também quando dá, porque a criança não muda sozinha, ela muda dentro do ambiente onde vive.”

Veja também

VIC
Vitoria perde para o Coritiba e termina a rodada próximo do Z-4
No fechamento da 33° rodada o Vitoria não suportou a pressão do Coritiba e perdeu por 2×0, no Couto...
BRT
Evento na orla altera operação do BRT de Salvador no próximo domingo
Em virtude de um evento que será realizado na orla de Salvador neste domingo (01), das 16h às 23h30,...
salvamar_foto_lucas_moura_secom_pms_2
Salvamar reforça efetivo e amplia postos de salva-vidas nas praias de Salvador durante feriadão de Finados
Para o feriadão de Finados, a Coordenadoria de Salvamento Marítimo de Salvador (Salvamar) contará com...
unnamed (1)
Agora agenciado pela mesma empresa de Vini Jr., Ítalo marca na vitória do Ural e mantém vivo o sonho do acesso na Rússia
O Ural conquistou uma vitória importante na Segunda Divisão do Campeonato Russo ao superar o Chelyabinsk...

Opinião

ucsal
UCSal: semeando saberes e sonhos ao longo de 65 anos