Salvador, 16 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Uso de corticoides na gravidez e na reprodução assistida exige critério e acompanhamento médico, alertam especialistas

Com propriedades anti-inflamatórias e imunossupressoras potentes, os corticoides são amplamente utilizados na medicina, mas seu uso durante a gestação e em tratamentos de reprodução assistida requer cuidado redobrado. Especialistas alertam que, embora os medicamentos possam ser fundamentais em situações específicas, como na prevenção de complicações neonatais por parto prematuro, o uso inadequado pode oferecer riscos à mãe e ao bebê. Os corticoides são hormônios sintéticos semelhantes ao cortisol, produzido pelas glândulas suprarrenais. Estão disponíveis em diferentes formas, como comprimidos, injeções e cremes, e atuam reduzindo processos inflamatórios e modulando o sistema imunológico.

“Na obstetrícia, a principal indicação é acelerar a maturação pulmonar fetal em casos de risco iminente de parto prematuro, geralmente entre 24 e 34 semanas de gestação”, explica a médica Andreia Garcia, médica do IVI Salvador. De acordo com diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), a administração de corticoides nessa fase reduz significativamente o risco de síndrome do desconforto respiratório e outras complicações neonatais graves. Em gestações múltiplas, o benefício também se mantém, mas o esquema de doses pode variar conforme cada caso.

Os medicamentos também podem ser indicados para gestantes com doenças autoimunes, como lúpus, asma grave ou doenças inflamatórias intestinais. Nesses casos, o controle da doença é essencial para o bem-estar materno e fetal. A prednisona, por exemplo, costuma ser a escolha mais segura, por apresentar baixa passagem placentária.

No caso da reprodução assistida, os corticoides têm uso restrito. “Em protocolos de Fertilização in Vitro (FIV), eles podem ser empregados em situações específicas, especialmente quando há sinais de autoimunidade associados a falhas de implantação ou abortamentos de repetição. A indicação deve sempre ser individualizada e feita com base em critérios clínicos e laboratoriais”, reforça a especialista.

Segundo revisões da Cochrane e diretrizes da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), não há evidência suficiente que justifique o uso rotineiro de corticoides em todos os ciclos de FIV. Estudos recentes ainda investigam o papel desses medicamentos na prevenção de complicações inflamatórias da gestação, como a pré-eclâmpsia.

O uso prolongado de corticoides pode causar efeitos colaterais como ganho de peso, aumento da pressão arterial, alterações de humor e maior suscetibilidade a infecções. Em gestantes, também pode elevar a glicemia, exigindo atenção especial em casos de diabetes gestacional. “Quando bem indicados, os benefícios costumam superar os riscos. O segredo está na dose, na duração e no acompanhamento médico”, conclui a Dra. Andreia Garcia.

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