Salvador, 18 de maio de 2026
Editor: Chico Araújo

Infectologista dá dicas de como usar repelente contra dengue e outras arboviroses

Considerados uma ameaça global a saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os mosquitos podem transmitir diversas doenças como dengue, malária, febre amarela, Zika e chikungunya, por exemplo.

Uma forma efetiva de evitar a picada do mosquito e, consequentemente, as infecções, é usar repelentes.

 

“Existem diversos tipos de repelentes, com formulações distintas, então é importante olhar no rótulo do produto qual é seu princípio ativo, em que concentração está presente na formulação e qual é a duração de seu efeito. Essas informações são fundamentais para escolha e uso adequado do produto”, alerta a Dra. Carolina Lázari, infectologista do Grupo Fleury, detentor da Diagnoson a+ na Bahia.

 

De acordo com a médica, o repelente deve ser aplicado na pele, nas partes expostas do corpo. “Por cima das roupas, por exemplo, é possível jogar repelentes na forma de spray próprios para este uso. Mas, esta é uma medida adicional, que não dispensa a aplicação na pele exposta. Se for ocorrer exposição ao sol, as pessoas devem passar primeiramente o protetor solar e, posteriormente, o repelente”, explica a infectologista.

 

A especialista ressalta que, segundo as recomendações da Agência nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os repelentes tópicos não devem ser usados em crianças menores de dois anos e, naquelas entre dois e 12 anos, a concentração dever ser no máximo 10% e a aplicação deve se restringir a três vezes por dia. Já a Sociedade Brasileira de Pediatria traz orientações mais detalhadas sobre o uso desses produtos em crianças entre seis meses e dois anos, assim como de concentrações maiores de princípio ativo, sempre considerando o risco-benefício. Entre dois e seis meses, é aceitável o uso apenas em situações de exposição intensa e inevitável a insetos, visto que há escassez de artigos científicos que avaliem a segurança de repelentes nesta faixa etária. Abaixo de dois meses, o uso é contraindicado. A orientação, nesses casos, é usar outras medidas como roupas mais claras, proteção mecânica, mosquiteiros nas portas, janelas e sobre as camas. “É sempre importante utilizar os produtos seguindo as orientações e normas do fabricante”, frisa a Dra. Carolina.

 

Confira as dicas de aplicação correta do produto para evitar a picada do mosquito:

 

  • Espalhar o repelente nas áreas descobertas da pele. No rosto, não é recomendado o uso de spray ou aerossol, pois pode haver inalação ou intoxicação. O ideal nesta região é utilizar produtos em gel ou creme.
  • Aplicar o repelente durante o dia, no início da manhã, final da tarde e quando for sair de casa, observando as restrições conforme a faixa etária. Os momentos de maior chance de picada são o início da manhã e o final da tarde, devido aos hábitos do mosquito.
  • O repelente deve ser aplicado sempre por último, após o hidratante, o protetor solar e outros cremes.
  • Não aplicar o repelente mais de três vezes ao dia. Lembrando que há repelentes que duram de 4h a 10h, devendo ser reaplicados ao final deste período. É preciso sempre ficar atento ao rótulo.
  • Para dormir, uma boa opção é o repelente elétrico. A Anvisa alerta que os repelentes utilizados em aparelhos elétricos ou espirais não devem ser utilizados em locais com pouca ventilação e nem na presença de pessoas asmáticas ou com alergias respiratórias. Se o repelente para ambientes em formato de spray for utilizado, a recomendação é que seja durante o dia, quando houver ventilação dos ambientes para evitar intoxicação.
  • O repelente deve ser reaplicado se molhar ou suar as partes descobertas do corpo.

 

Outras informações importantes:

No Brasil, os produtos ativos como repelentes de insetos são classificados como cosméticos e regulados pela Anvisa. São licenciados o DEET, a icaridina e o IR3535, disponíveis em diversas formulações e marcas. Em comum, essas substâncias têm a característica de que a duração do efeito repelente é maior quanto maior a sua concentração no produto. Por isso, é fundamental ler os rótulos e fazer as reaplicações observando as recomendações do fabricante. De modo geral, a máxima proteção é obtida com concentrações superiores a 30% de DEET, e superiores a 20% de icaridina. Para crianças e pessoas com tendências a reações alérgicas, é fundamental procurar orientação médica.

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