Salvador, 26 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Consumo de álcool pode agravar sintomas da endometriose e acelerar progressão da doença

Inflamação e alterações hormonais associadas à bebida alcoólica podem intensificar dores e impactar a qualidade de vida de pacientes

A endometriose afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva e exige um manejo que vai além do tratamento médico. Evidências recentes mostram que hábitos do dia a dia também influenciam diretamente o controle da doença, e o consumo de álcool é um desses fatores.

De acordo com o ginecologista especialista em cirurgia minimamente invasiva, Alexandre Amaral, a ingestão de bebidas alcoólicas pode contribuir para o agravamento dos sintomas dessa condição, como dor pélvica intensa, alterações menstruais e, em alguns casos, infertilidade.

“O álcool tem um efeito inflamatório no organismo e pode interferir no metabolismo do estrogênio, hormônio diretamente envolvido na progressão da endometriose, podendo acelerar a doença e aumentar o risco de complicações”, explica Alexandre Amaral.

Além disso, o fígado, responsável pela metabolização do álcool e também pelo equilíbrio hormonal, pode ter sua função comprometida com o consumo frequente, dificultando a regulação adequada dos níveis de estrogênio.

Segundo Alexandre, a suspensão ou até mesmo redução significativa do consumo pode trazer benefícios perceptíveis. “Muitas pacientes relatam melhora dos sintomas ao adotarem mudanças no estilo de vida, incluindo a diminuição do álcool. Não se trata apenas de tratamento medicamentoso ou cirúrgico, mas de um cuidado integral com o corpo”, destaca o ginecologista.

O médico reforça que cada caso deve ser avaliado individualmente, mas orienta que mulheres com diagnóstico ou suspeita de endometriose estejam atentas aos sinais do próprio organismo. “A observação de como o corpo reage após o consumo de álcool pode ser um indicativo importante”, conclui.

Além da atenção ao consumo de álcool, outros aspectos do estilo de vida também desempenham papel importante no controle da endometriose, como a adoção de uma alimentação com perfil anti-inflamatório, a prática regular de atividade física, a qualidade do sono e a gestão do estresse. Também é importante evitar o tabagismo e observar como o próprio corpo reage a estimulantes, como a cafeína, respeitando sempre a individualidade de cada caso.

Sobre Alexandre Amaral

Médico pela Faculdade de Tecnologia e Ciências de Salvador, com Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade Federal de Sergipe e Especialização em Endoscopia Ginecológica e Endometriose pelo Hospital Pérola Byington, em São Paulo. Atualmente trabalha como médico assistente e coordenador do fellowship de Endoscopia Ginecológica do Núcleo de Endometriose e Fertilidade (NEF) da Bahia.

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