Mudanças hormonais, estresse e alterações metabólicas podem favorecer o aumento da pressão arterial mesmo sem sintomas aparentes
A hipertensão arterial continua entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares no Brasil e, entre as mulheres, a condição pode se desenvolver de forma ainda mais silenciosa ao longo das diferentes fases hormonais da vida. Questões como menopausa, alterações metabólicas, estresse crônico, sedentarismo e privação de sono influenciam diretamente a saúde cardiovascular e podem dificultar a identificação precoce do problema.
Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia apontam que cerca de 60% das mulheres desenvolvem hipertensão arterial após a menopausa, período marcado pela redução dos níveis de estrogênio e por mudanças importantes no organismo. Além disso, um estudo publicado pela Revista Brasileira de Medicina mostra que mulheres acima dos 50 anos apresentam aumento significativo da pressão arterial, igualando ou até superando índices observados em homens da mesma faixa etária.
A cardiologista do Núcleo TB, Carolina Thé, alerta que a hipertensão costuma evoluir sem sintomas evidentes, o que aumenta o risco de complicações como infarto, AVC, insuficiência cardíaca e comprometimento renal. Em muitos casos, sinais como dores de cabeça frequentes, fadiga, palpitações e tonturas acabam associados apenas ao desgaste da rotina.
“Durante muitos anos, a saúde cardiovascular da mulher foi associada apenas ao envelhecimento, mas hoje sabemos que fatores hormonais, emocionais e metabólicos têm impacto direto no risco de hipertensão e outras doenças cardíacas. A menopausa, por exemplo, provoca mudanças importantes no organismo que favorecem o aumento da pressão arterial”, explica Carolina Thé.
A especialista destaca ainda que a hipertensão é considerada uma doença silenciosa justamente porque, na maioria das vezes, não apresenta sintomas claros. “Muitas mulheres só descobrem alterações importantes após exames de rotina ou quando já existe alguma complicação cardiovascular. Por isso, o acompanhamento regular é fundamental para identificar fatores de risco precocemente e prevenir danos futuros”, completa.
Além do acompanhamento médico periódico, Carolina recomenda medidas preventivas como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle do estresse, qualidade do sono e monitoramento frequente da pressão arterial.