Salvador, 24 de agosto de 2026
Editor: Chico Araújo

Agosto Dourado: os desafios e a importância da amamentação

Professora da Afya Salvador explica que acolhimento, orientação e rede de apoio são tão importantes quanto o leite materno para garantir um início de vida mais saudável

Em meio às transformações da gestação e do puerpério, muitas mulheres vivenciam frustração, insegurança ou culpa quando a amamentação não acontece como esperavam. No Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre o aleitamento materno, especialista da Afya Salvador reforça que a mulher não deve carregar sozinha a responsabilidade pela amamentação e que a possibilidade de manter o aleitamento depende, antes de tudo, de uma rede de apoio capaz de acolher, orientar e cuidar da mulher durante a gestação, parto e puerpério.

A discussão ganha ainda mais relevância diante dos impactos que o aleitamento tem na saúde das crianças. Segundo o Ministério da Saúde, a amamentação pode reduzir em até 13% as mortes das crianças menores de cinco anos, além de proteger contra diarreias, infecções respiratórias, alergias e obesidade infantil, reduzindo internações e promovendo um desenvolvimento mais saudável, com reflexos, inclusive, na vida adulta, como QI mais elevado, maior nível de escolaridade e menor propensão a doenças crônicas. Embora os benefícios do aleitamento sejam amplamente reconhecidos, especialistas ressaltam que nem todas as mulheres conseguem amamentar exclusivamente e que diferentes fatores biológicos, sociais e emocionais podem interferir nesse processo.

No entanto, dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), adotado pelo Ministério da Saúde como referência nacional, alertam que, apesar dos benefícios, manter a amamentação exclusiva ainda representa um desafio para a maioria das famílias brasileiras. Segundo o estudo, 45,8% dos bebês brasileiros menores de seis meses recebem exclusivamente o leite materno, índice distante da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS), que pretende elevar o percentual a 70% até 2030.

Para Maria Eunice Fonseca Leite, professora da Afya Salvador e ginecologista, o debate sobre a amamentação precisa deixar de responsabilizar apenas a mãe. “Na maioria das vezes, o desmame precoce não ocorre por falta de vontade da mulher ou falta de amor ao filho. No entanto, elas frequentemente enfrentam dificuldades como dor, fissuras mamilares, insegurança quanto à produção de leite, cansaço, privação de sono e necessidade de retorno ao trabalho. Quando essas dificuldades não são acompanhadas por orientação adequada, uma rede de apoio formada por familiares, profissionais de saúde e empregadores e condições sociais adequadas, tornam-se fatores que favorecem a interrupção da amamentação”, destaca a especialista.

Na Bahia, a experiência aparece em dados do Ministério da Saúde que comprovam o quanto o acolhimento faz diferença. Segundo a última pesquisa, realizada em 2023, mais de 89 mil mulheres receberam assistência relacionada ao aleitamento materno por meio dos Bancos de Leite Humano e postos de coleta do estado. No cenário nacional, o país registrou, em 2024, a doação de 245,7 mil litros de leite humano por 193 mil mulheres, beneficiando mais de 213 mil recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados em UTIs neonatais.

Já em 2025, para ampliar a rede de apoio que atua por meio de visitas domiciliares e atendimentos em grupo, voltados à prevenção do desmame precoce e ao apoio às mães com dificuldades durante a amamentação, o órgão federal destinou R$ 1,8 milhão para fortalecer os Bancos de Leite Humano da Bahia. O investimento integra um aporte nacional superior a R$ 40,6 milhões voltado ao fortalecimento de 225 Bancos de Leite Humano em todo o país. No estado, foram contempladas unidades em Salvador, Feira de Santana, Itabuna, Jequié, Barreiras e Vitória da Conquista.

A ginecologista também é enfática ao afirmar que “embora a amamentação seja um processo biológico, ela também é uma habilidade que mãe e bebê aprendem juntos. Nos primeiros dias são comuns dificuldades relacionadas à pega incorreta, ingurgitamento mamário, dor, fissuras nos mamilos e dúvidas sobre a quantidade de leite produzida. A orientação precoce é fundamental porque corrige esses problemas antes que eles se agravem, reduz o sofrimento materno, aumenta a confiança da mulher e favorece a manutenção do aleitamento exclusivo. Um acompanhamento qualificado nos primeiros dias pode reduzir dificuldades e favorecer a continuidade do aleitamento”, lembra Maria Eunice.

A médica também conta que, embora os benefícios para as crianças sejam amplamente divulgados, a mulher também ganha proteção ao amamentar. Segundo ela, os benefícios para a mãe são amplamente comprovados. “A amamentação favorece a contração do útero no pós-parto, reduz o risco de hemorragia, contribui para a recuperação do peso, diminui o risco de câncer de mama e de ovário, além de estar associada à menor incidência de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A amamentação pode fortalecer o vínculo entre mãe e bebê, embora esse vínculo seja construído de diferentes formas ao longo dos cuidados cotidianos. Também pode contribuir para a saúde mental quando ocorre em um ambiente de acolhimento”, destaca.

Sobre a Afya

A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades com pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. O grupo conta com 3.766 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e, nos últimos 25 anos, já formou mais de 24 mil alunos.
Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers.
Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023).
Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar.
Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br.

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