Salvador, 21 de agosto de 2026
Editor: Chico Araújo

Bebês prematuros exigem atenção redobrada para cardiopatias congênitas

Diagnósticos precoces e acompanhamento diferenciado reduzem riscos e garantem melhor evolução clínica

Bebês que chegam ao mundo antes da hora podem enfrentar desafios que vão além do baixo peso e da imaturidade pulmonar. Entre eles, estão as cardiopatias congênitas, malformações no coração que podem acometer a criança desde o nascimento. A discussão ganha ainda mais relevância neste período de Novembro Roxo, dedicado à sensibilização sobre prematuridade e aos cuidados essenciais para garantir um início de vida mais seguro aos recém-nascidos.

De acordo com o Ministério da Saúde, entre seis e oito bebês a cada mil nascidos vivos apresentam algum tipo de cardiopatia. Quando se consideram todos os nascimentos, a estimativa é de que um em cada 100 bebês tenha*m* algum defeito cardíaco. *Estes* números reforçam a necessidade do diagnóstico precoce e cuidado especializado.

A cardiologista pediátrica Keylla Passos, coordenadora do Serviço de Cardiologia Pediátrica do Hospital Mater Dei Salvador, explica que algumas dessas alterações são mais frequentes nos prematuros. “As doenças cardíacas congênitas mais comuns nesses bebês são o canal arterial patente, a comunicação interventricular e a comunicação interatrial”, afirma.

O que são – O canal arterial patente (PCA) é uma estrutura presente em todos os fetos e que normalmente se fecha nas primeiras horas após o nascimento. Nos prematuros, esse fechamento pode demorar ou nem acontecer espontaneamente, causando sobrecarga no coração e nos pulmões. Já as comunicações interventricular (CIV) e interatrial (CIA) são orifícios entre câmaras do coração, que podem se fechar naturalmente. A oclusão espontânea pode ocorrer em defeitos menores.

A CIA e a CIV causam uma mistura inadequada de sangue entre as cavidades, podendo levar a um cansaço, dificuldade para ganhar peso e maior risco de infecções respiratórias. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, essas alterações estão entre as causas mais comuns de internação cardíaca em prematuros e, quando não tratadas, podem acarretar insuficiência cardíaca ou impacto no desenvolvimento.

Diagnóstico e tratamento – O diagnóstico das comunicações interventriculares pode ocorrer ainda na gestação, mas nem sempre é simples. “Quando o defeito é muito pequeno, abaixo de três milímetros, o ecocardiograma fetal pode não identificar, dependendo muito da posição do bebê e das limitações naturais do exame. Nesses casos, o diagnóstico costuma ser feito após o nascimento e, felizmente, não traz risco imediato à vida do recém-nascido”, explica Keylla. Já o PCA e a comunicação interatrial são sempre diagnósticos pós-natais. “Essas estruturas existem e permanecem abertas durante toda a vida intrauterina. O esperado é que se fechem naturalmente, mas nos prematuros isso nem sempre acontece”, completa.

Nem toda cardiopatia congênita exige intervenção imediata. Muitas se fecham espontaneamente. Mas, quando isso não ocorre, o tratamento varia conforme a gravidade. O canal arterial patente pode ser corrigido com medicação, cateterismo ou cirurgia. “A decisão é sempre individualizada, baseada na evolução clínica de cada bebê”, afirma a cirurgiã cardiovascular pediátrica Nadja Kraychet, também do Hospital Mater Dei Salvador. As comunicações interatrial e interventricular seguem a mesma lógica: se forem pequenas e sem repercussão, são apenas acompanhadas; quando maiores, exigem fechamento por cateterismo ou cirurgia.

Riscos e acompanhamento – Para além das alterações estruturais no coração, os prematuros têm maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares na vida adulta. Estudos da Organização Mundial da Saúde mostram que adultos que nasceram prematuros têm mais risco de hipertensão, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica. “Os maiores riscos para a saúde cardiovascular desses bebês, ao longo da vida, são a hipertensão arterial crônica e as doenças metabólicas. Por isso, eles precisam de um olhar diferenciado do pediatra desde cedo”, reforça Keylla.

Especialistas recomendam acompanhamento regular com cardiopediatra e pediatra, especialmente nos primeiros anos de vida. Nadja destaca que “quando há avaliação precoce e personalização do tratamento, é possível evitar complicações e oferecer a esses bebês a chance de uma vida normal, com crescimento adequado e sem limitações”, conclui.

Veja também

unnamed (1)
Invicto e premiado, Tibúrcio celebra momento no Maranhão antes de decisões pela Série C
Sequência invicta, gol decisivo e prêmio de melhor em campo. Tibúrcio vive um momento para lá de especial...
unnamed
Embalado por sequência invicta, Lucas Dias vê Figueirense focado para reta final da Série C
Foco é a palavra de ordem no Figueirense. A duas rodadas do fim da primeira fase, isso é o que garante...
unnamed
Caxambu segue preparação para estreia na temporada pelo Borneo Samarinda, da Indonésia
O Borneo Samarinda já iniciou a preparação para a próxima temporada da principal liga da Indonésia, que...
Lobato
Prefeitura entrega requalificação do Centro Educacional Monteiro Lobato e beneficia 570 estudantes
Com apresentações de alunos, unidos em celebração, a Prefeitura de Camaçari entregou, nesta quinta-feira...

Opinião

advs
Eleições na era digital: o uso da Inteligência Artificial nas eleições de 2026