Salvador, 21 de maio de 2026
Editor: Chico Araújo

Burnout silencioso acende alerta para saúde mental no ambiente de trabalho

Subrecarga emocional, exaustão constante e culpa por descansar estão entre os sinais de atenção

Com a chegada do meio do ano e o aumento das demandas profissionais, muitas pessoas começam a sentir o peso e o impacto da cobrança e da autocobrança por resultados imediatos e pelo constante movimento. A rotina corrida e cheia de demandas faz com que, muitas vezes, passe despercebido um cansaço que não cessa: o burnout silencioso. Sintomas como exaustão constante e contínua, irritabilidade, insônia e até mesmo culpa em momentos de pausa tornam-se cada vez mais frequentes no ambiente de trabalho.

Segundo a psicóloga Niliane Brito, especialista em Psicologia Clínica (CRP03/12433), uma das questões mais importantes relacionadas ao burnout silencioso está na forma como esse cansaço vem sendo naturalizado e normalizado pelas pessoas. “Muitas vezes, mesmo cansadas, elas continuam suas rotinas funcionando no automático, cumprindo metas, tarefas e demandas sem perceber o quanto já estão emocionalmente sobrecarregadas. É um desgaste que vai se acumulando de forma silenciosa e impactando diversas áreas da vida”, explica.

A especialista destaca que um dos principais sinais de alerta é a sensação constante de estar sempre exausto, mesmo após momentos de descanso. Além disso, alterações de humor, ansiedade, dificuldade de concentração, desmotivação e sensação de incapacidade também podem indicar um estado de esgotamento emocional.

“Existe, na contemporaneidade, uma romantização em relação à produtividade excessiva. Quanto mais ocupados demonstrarmos ser e estar, mais importantes parecemos aos olhos da sociedade. Isso faz com que muitas pessoas sintam culpa ao descansar, pausar ou desacelerar, quando, na verdade, o descanso é uma necessidade básica para a saúde mental”, afirma Niliane.

Entre as orientações para prevenir o esgotamento, a psicóloga reforça a importância de estabelecer limites na rotina, respeitar horários de descanso, buscar momentos de lazer, autocuidado e desconexão fora do ambiente profissional. “Pequenas pausas ao longo do dia, sono de qualidade, alimentação equilibrada e atividades prazerosas já fazem diferença. Mas, quando os sintomas começam a afetar a vida pessoal e profissional, buscar ajuda psicológica é fundamental”, orienta.

Ainda de acordo com a especialista, as empresas também precisam ampliar o olhar sobre saúde emocional dentro das equipes. “Ambientes saudáveis não são construídos apenas com metas e resultados, mas também com escuta, acolhimento e respeito aos limites humanos. Falar sobre saúde mental no ambiente de trabalho deixou de ser tendência e passou a ser uma necessidade”, conclui.

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