Salvador, 22 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

Coçar os olhos pode levar à doença grave, alerta oftalmologista

O ato de coçar os olhos pode parecer inofensivo, mas é um dos principais fatores de risco para ceratocone. A doença, segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, afeta 150 mil pessoas por ano no Brasil, sendo mais comum no público dos 10 aos 25 anos. O mês de junho foi estabelecido como “Junho Violeta”, que visa conscientizar a população sobre o ceratocone.
A doença costumar surgir na infância, adolescência ou início da fase adulta, mas pode aparecer em todas as idades. “Na maioria dos casos, o ceratocone é hereditário, mas estímulos externos, como, por exemplo, coçar os olhos, podem aumentar as chances de desenvolver o ceratocone, especialmente em crianças e adolescentes”, explica o médico Dr. Fernando Ramalho, especialista em cirurgia refrativa no Oftalmos – Hospital de Olhos, em Santa Catarina.

 

“Ceratocone não tem cura, mas tem tratamento. Quanto mais cedo for o diagnóstico, maiores são as chances de estabilização do quadro clínico, não sendo necessário o auxílio de cirurgia. A condição é a principal causa de todos os transplantes de córnea no país”, diz Ramalho.
Sintomas

 

Existem casos de ceratocone subclínico, nos quais não apresentam sintomas e, quando aparecem, podem variar dependendo de quando a doença é descoberta. O especialista do Oftalmos explica que o ceratocone é uma doença bilateral e assimétrica, podendo acometer os dois olhos de forma distinta, em graus diferentes. A principal queixa é a visão embaçada e distorcida, mas também pode ocorrer sensibilidade à luz, comprometimento da visão noturna, visão dupla e poliopia, que é a formação de múltiplas imagens de um mesmo objeto.

 

Tratamento

 

O tratamento irá depender do nível em que a doença for descoberta, explica o Dr. Fernando Ramalho. “Em alguns casos, principalmente os leves, indicamos o uso de óculos, mas também podem ser usadas lentes de contato. No estágio intermediário, o mais indicado são os anéis intracorneanos, que regularizam a curvatura da córnea. Já nos casos avançados, podemos utilizar o crosslinking, que consiste em uma técnica que fortalece as moléculas de colágeno da córnea. Por último, quando não temos mais opções, realizamos o transplante de córnea”, finaliza o especialista.

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