Salvador, 18 de maio de 2026
Editor: Chico Araújo

Como a automedicação pode agravar o quadro de dengue?

A alta no registro de casos da dengue e o hábito de automedicação dos brasileiros é algo preocupante. Isso reforça a necessidade de a população estar ciente que nem todos os medicamentos são recomendados para amenizar os sintomas, pois podem agravar o quadro. No caso desta doença, essa prática inadequada pode ter consequências graves e até fatais.

A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Seus sintomas podem variar de febre alta e dores musculares a complicações sérias, como sangramento interno e choque hemorrágico. O tratamento adequado requer cuidados específicos e, em muitos casos, internação hospitalar.

De acordo com o farmacêutico e professor do curso de Farmácia do UNINASSAU – Cento Universitário Maurício de Nassau Recife, campus Boa Viagem, Claudio Cezar, optar pela automedicação ao sentir os primeiros sintomas da dengue pode ser perigoso, além de mascarar os sinais da doença, retardando o diagnóstico e tratamento adequado. “Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno e ácido acetilsalicílico (aspirina), devem ser evitados, pois podem aumentar o risco de complicações hemorrágicas por serem drogas com ação antiagregante plaquetária. O uso indiscriminado dessas substâncias agrava o quadro clínico e dificulta o tratamento adequado”, explica.

Ao sentir febre acima de 39º, dor atrás dos olhos e mal-estar no corpo, é fundamental buscar orientação médica imediata. Estes sintomas podem ser indicativos de uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e que, pela similaridade, costuma ser confundido com outras arboviroses, como Zyka e Chikungunya.

“A falta de orientação médica também pode levar os pacientes a tomarem doses inadequadas de medicamentos ou combinarem diferentes substâncias de forma perigosa, tendo a possibilidade de resultar em efeitos colaterais prejudiciais e, até mesmo, intoxicação. Caso haja a necessidade de aliviar os sintomas, são indicados paracetamol e dipirona. Ambos ajudam a reduzir a febre e o desconforto sem apresentar os mesmos riscos associados aos AINEs e à aspirina’, ressalta o farmacêutico.

“Além disso, é essencial que o paciente com suspeita de dengue siga mais recomendações para uma recuperação segura. Descansar o corpo é fundamental para permitir que o sistema imunológico combata o vírus de forma eficaz, assim como manter-se bem hidratado para prevenir a desidratação, especialmente porque essa doença pode causar vômitos e diarreia. Água, sucos naturais e soro caseiro ajudam a repor os líquidos perdidos”, finaliza o professor do curso de Farmácia da UNINASSAU Boa Viagem, Claudio Cezar.

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