Salvador, 4 de dezembro de 2025
Editor: Chico Araújo

Dipirona ajuda a curar dor de término de relacionamento: verdade ou mito?

Uma tendência preocupante tem sido destaque no TikTok, onde jovens e adolescentes estão compartilhando vídeos em que relatam o uso da dipirona – medicamento utilizado para aliviar a febre e dores em geral – como uma forma de curar a dor emocional causada pelo término de um relacionamento.

A dipirona é um dos remédios mais consumidos no Brasil – em 2022, mais de 200 milhões de doses do medicamento foram vendidas no país, segundo levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por não necessitar de receita para adquirir o produto, o uso irracional torna-se preocupante, pois o fácil acesso e a falta de orientação levam a utilização do medicamento de forma inadequada e exagerada. “A dipirona tem um potencial efeito negativo sobre a medula óssea, que pode resultar em condições como a agranulocitose, o que fez com que a comercialização do remédio seja proibida em diversos países”, explica a Doutora em Ciências da Saúde e professora do curso de Farmácia da Universidade Positivo – Londrina, Andressa Keiko Matsumoto.

A dipirona é eficaz no tratamento de dores e febre. A especialista lembra que ele reduz a formação de prostaglandinas, que são mediadores importantes no processo inflamatório e na resposta do sistema imunológico, melhorando os sintomas associados à inflamação. No entanto, há riscos à saúde quando o medicamento é consumido em excesso, como a perda de efeito quando ele for realmente necessário.

Fisiologicamente falando, a dipirona não tem ação na dor emocional. Andressa aponta que, ao tomar o medicamento, a sensação de alívio dessa dor pode advir do efeito placebo, ressaltando que “isso acontece devido às expectativas positivas do paciente em relação ao tratamento, bem como a crenças na eficácia do mesmo.” A dor de um coração partido é muito mais complexa do que uma dor física, e a solução deve vir da compreensão das implicações de uma relação afetiva e conjugal. “Não basta tomar um comprimido, mas sim buscar autoconhecimento e saber colocar pontos finais, deixar a fila andar”, afirma a professora do curso de Psicologia da Universidade Positivo, Janete Knapik.

Aliado ao processo de autoconhecimento como estratégia para clarear as expectativas de uma relação a dois, a psicóloga recomenda outros métodos para ajudar a superar o fim de um relacionamento, como não se isolar da família e amigos, evitar vasculhar as redes sociais da pessoa e manter uma vida social ativa, saindo de casa e fazendo coisas diferentes e estimulantes.

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