Salvador, 18 de maio de 2026
Editor: Chico Araújo

Número de casos de infarto em jovens aumentou em 150% no Brasil nos últimos 20 anos

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte dos brasileiros. E dados recentes do Ministério da Saúde têm deixado os especialistas em alerta: o número de internações de pessoas com menos de 40 anos, devido ao infarto agudo do miocárdio, aumentou em 150% entre 2000 e 2024, saltando de menos de dois casos a cada 100 mil habitantes para quase cinco.

 

Marcos Barros, cardiologista e professor do curso de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS), lembra que os principais fatores de risco para o infarto são amplamente divulgados, como diabetes e hipertensão arterial, mas nos jovens assumem a importância outros, como o sedentarismo, especialmente após a pandemia do Covid-19, obesidade, menor consumo de alimentos saudáveis, aumento no consumo de alimentos processados e ultraprocessados, uso de drogas ilícitas, tabagismo e presença de doenças congênitas ou hereditárias, como a hipercolesterolemia familiar (colesterol alto).

 

Esses comportamentos podem causar uma lesão no endotélio das artérias coronárias, que contribui para a formação de placas de gordura na região. São essas placas que, com o tempo, podem crescer, romper e obstruir, parcialmente ou totalmente, as artérias, impedindo o transporte de oxigênio ao músculo cardíaco.

 

“O infarto do miocárdio, ou ataque cardíaco, é a necrose da parte do músculo do coração devido à interrupção do suprimento de sangue naquela área. Os sintomas mais comuns envolvem dor em aperto ou queimação, no meio ou à esquerda do tórax, com irradiação para o pescoço ou braço esquerdo, geralmente associada com mal-estar, sudorese e desconforto respiratório”, revela o cardiologista.

 

Apesar desse aumento no número de casos de jovens com ataque cardíaco, esse ainda é um problema que acomete mais homens acima dos 45 anos e mulheres com mais de 55 anos.

 

Atendimento rápido pode salvar vidas

 

Marcos Barros revela que o atendimento rápido após notar os sintomas de um infarto pode salvar vidas. “Quando o tratamento acontece nas primeiras horas de evolução, é possível reverter o quadro e evitar consequências imediatas, como a morte súbita, ou tardias, como a insuficiência cardíaca”, esclarece o professor da UNIFACS, cujo curso de Medicina integra a Inspirali.

 

O tratamento para o infarto do miocárdio pode ser feito de maneira medicamentosa ou por meio de procedimentos, como a angioplastia (desobstrução de artéria) e a cirurgia de ponte de safena e mamária. Pacientes jovens, mas que apresentem sintomas ou tenham diagnóstico para doença isquêmica do coração, devem buscar atendimento médico e uma avaliação cardíaca com frequência.

 

Para o especialista, a melhor forma de prevenção é a adoção de um estilo de vida saudável desde a infância. “Manter a regularidade do sono, escolha por alimentos saudáveis e naturais, prática de exercícios físicos frequentes, controle do peso e acompanhamento médico regular são medidas que devem ser adotadas ainda na infância e adolescência e incorporadas para toda a vida, garantindo um envelhecimento ativo e pleno”, finaliza Marcos Barros.

Deixe um comentário

Veja também

convocacao_ultima_selecao_2025
Ancelotti confirma Neymar e deixa Luciano Juba de fora da Copa do Mundo
Sem muitas surpresas, o técnico da Seleção Brasileira, o italiano Ancelotti divulgou há pouco, no Museu...
morta
Canabrava: casal é encontrado morto dentro de casa; caso é investigado pela Polícia Civil
Um casal foi encontrado morto dentro da casa onde morava, no bairro de Canabrava, em Salvador, no domingo...
Lula
Terras raras: "Brasil não abre mão de sua soberania", diz Lula
Presidente inaugurou linhas de luz síncrotron do Projeto Sirius O presidente da República Luiz Inácio...
Fiocruz
Justiça Federal manda derrubar perfis com desinformação sobre Fiocruz
Ação indica publicação de fake news como dados oficiais da instituição A Justiça Federal do Rio de Janeiro...

Opinião

WhatsApp Image 2026-04-10 at 12.30
Compra de terras por estrangeiros no Brasil: o problema real pode estar no processo, não na lei