Salvador, 26 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Procedimento oferece nova alternativa no controle da hipertensão resistente

Um procedimento minimamente invasivo está se consolidando como alternativa no tratamento da hipertensão arterial grave, especialmente para pacientes que não conseguem controlar a pressão mesmo com o uso de múltiplos medicamentos. Trata-se da denervação renal percutânea, uma técnica que utiliza radiofrequência para atenuar a atividade de terminações nervosas envolvidas na regulação da pressão arterial. Estudos internacionais vêm reforçando os resultados positivos do procedimento em pacientes com hipertensão resistente, o que tem levado ao seu reconhecimento crescente na prática cardiológica.

A técnica, já aplicada em hospitais de ponta da rede privada em Salvador, é indicada para pacientes com hipertensão resistente — aqueles que utilizam pelo menos cinco classes diferentes de medicamentos em doses máximas, além de manter dieta e prática de exercícios, mas que, mesmo assim, não conseguem controlar a pressão.

O procedimento é realizado por meio de cateteres inseridos nas artérias renais através da virilha. “Utilizamos pulsos de radiofrequência para neutralizar parte da atuação dos gânglios simpáticos na parede da artéria, reduzindo o estímulo que contribui para a elevação da pressão”, explica o cardiologista intervencionista Sérgio Câmara, especialista em Hemodinâmica.

Na maioria dos casos, o paciente recebe alta entre 48 e 72 horas após o procedimento. Os efeitos começam a ser observados, gradualmente, a partir de algumas semanas, e estudos apontam benefícios que podem se prolongar por até um ano.

Segundo Câmara, embora não seja um método curativo, nem substitua completamente o tratamento convencional, a denervação renal percutânea pode ajudar a reduzir a quantidade de medicamentos necessários e o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e insuficiência renal. “Uma redução média de 10 mmHg na pressão sistólica já traz impacto significativo na redução da mortalidade e de complicações associadas”, afirma.

Antes de ter o procedimento indicado, é necessário descartar causas secundárias de hipertensão, como distúrbios da tireoide, das glândulas adrenais ou apneia do sono. O cateter utilizado, da linha Symplicity da empresa Medtronic, já está na sua segunda geração e incorpora avanços tecnológicos importantes. Seu formato espiral permite a emissão de pulsos de radiofrequência em quatro pontos simultaneamente, o que torna a aplicação mais eficiente e reduz o tempo do procedimento.

A técnica se apresenta como uma estratégia adicional no enfrentamento da hipertensão de difícil controle — condição que atinge uma parcela significativa da população e que representa um risco constante e silencioso para a saúde cardiovascular. “A pressão alta funciona como água mole em pedra dura: a agressão contínua aos vasos sanguíneos, ao longo do tempo, leva à formação de lesões irreversíveis”, alerta Câmara.

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