Salvador, 14 de junho de 2026
Editor: Chico Araújo

Mercosul: Lula liga para presidente da Comissão da UE e reforça acordo

Acordo ente União Europeia e bloco pode ser validado ainda em 2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saudou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pelo envio do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) para votação no Parlamento Europeu. Lula telefonou para Ursula na manhã desta sexta-feira (5) e, por cerca de 20 minutos, conversaram sobre as relações entre o Brasil e o bloco europeu.

Neste semestre, o Brasil está na presidência do Mercosul e a expectativa de Lula é assinar o acordo no final do ano, durante a Cúpula de Líderes no Brasil. Para ele, a apreciação do texto pelos europeus é “mais um passo importante para sua assinatura”.

“Ambos [Lula e Von der Leyen] concordaram que, diante do momento de incerteza e desestruturação do comércio internacional, a parceria entre os dois blocos regionais é ainda mais estratégica”, diz nota do Palácio do Planalto.

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De acordo com o comunicado, o futuro acordo criará um mercado de mais de 700 milhões de pessoas e corresponderá a 26% do PIB global.

“O presidente Lula e a presidenta von der Leyen também reiteraram seu compromisso com o multilateralismo e com uma ordem internacional mais justa e pacífica”, acrescenta a nota.

A União Europeia e o bloco formado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai completaram as negociações sobre o acordo em dezembro passado, cerca de 25 anos após o início das conversações. Agora ele será submetido à aprovação da União Europeia, exigindo votação no Parlamento Europeu e maioria qualificada entre os governos da UE, ou seja, 15 dos 27 membros que representam 65% da população do bloco. Não há garantia de aprovação em nenhum dos casos.

O acordo foi apresentado na última quarta-feira (3) e coloca a França, principal crítica do acordo, contra a Alemanha e outros países que desejam novos mercados para compensar a nova política dos Estados Unidos de aumentar as suas tarifas de importação para parceiros comerciais.

A França, o maior produtor de carne bovina da UE classificou o acordo como “inaceitável” dizendo que não leva em consideração exigências ambientais na produção agrícola e industrial. O presidente Lula rebate, afirmando que a França é protecionista sobre seus interesses agrícolas.

Agricultores europeus protestaram várias vezes, dizendo que o acordo levaria a importações baratas de commodities sul-americanas, principalmente carne bovina, que não atendem aos padrões de segurança alimentar e ecológicos da UE. A Comissão Europeia negou que esse seja o caso.

Na conversa com Ursula von der Leyen, Lula defendeu que qualquer regulamento sobre salvaguardas que seja adotado internamente pela União Europeia esteja em plena conformidade com o espírito e os termos pactuados no acordo.

A comissão e os proponentes, como a Alemanha e a Espanha, afirmam que o acordo oferece uma maneira de compensar a perda de comércio devido às tarifas impostas por Donald Trump e de reduzir a dependência da China, principalmente em relação a minerais essenciais.

Os defensores do acordo na União Europeia veem o Mercosul como um mercado crescente para carros, máquinas e produtos químicos europeus e uma fonte confiável de minerais essenciais para sua transição verde, como o lítio metálico para baterias, do qual a Europa agora depende da China.

Eles também apontam para os benefícios agrícolas, já que o acordo ofereceria maior acesso e tarifas mais baixas para queijos, presunto e vinho da UE.

Agência Brasil

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