Salvador, 14 de junho de 2026
Editor: Chico Araújo

Projeto amplia lista de profissões com direito à aposentadoria especial e avança na Câmara

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 42/2023, que regulamenta e amplia as categorias com direito à aposentadoria especial, avança na Câmara dos Deputados e pode beneficiar milhares de trabalhadores expostos a condições de risco ou agentes nocivos à saúde. A proposta ganhou força no Congresso Nacional após decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubaram a exigência de idade mínima fixa para a concessão desse tipo de benefício.

O texto estabelece critérios mais claros para a aposentadoria especial e contempla profissionais das áreas da saúde, segurança, indústria, construção civil, mineração e transporte. Caso seja aprovado, o projeto poderá reduzir significativamente o tempo necessário para que trabalhadores dessas categorias tenham acesso ao benefício previdenciário.

Profissionais da saúde estão entre os principais beneficiados

De acordo com a proposta, trabalhadores da área da saúde poderão obter a aposentadoria especial após 25 anos de exposição a agentes nocivos. Entre as categorias contempladas estão médicos, enfermeiros, dentistas, técnicos em radiologia, auxiliares de enfermagem e motoristas responsáveis pelo transporte de pacientes, incluindo profissionais que atuam em ambulâncias e no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

Vigilantes, guardas e eletricistas também são contemplados

O projeto também prevê regras específicas para profissionais da segurança e de serviços essenciais. Vigilantes, independentemente do porte de arma, guardas municipais, agentes de trânsito, eletricistas e eletricitários expostos à alta tensão poderão ter direito à aposentadoria especial após períodos que variam entre 20 e 25 anos de atividade.

Trabalhadores da indústria e construção civil entram na lista

Categorias ligadas à indústria e à construção civil, que atuam em ambientes com exposição frequente a ruídos intensos, calor excessivo ou materiais pesados, também estão incluídas na proposta. O texto prevê aposentadoria após 20 anos de atividade para metalúrgicos, siderúrgicos, soldadores, caldeireiros, mecânicos, torneiros mecânicos, ceramistas, operadores de máquinas pesadas e trabalhadores da construção civil submetidos a elevados níveis de ruído.

Mineiros mantêm prazo reduzido para aposentadoria

Os trabalhadores da mineração subterrânea continuam enquadrados nas regras mais favoráveis devido ao elevado desgaste físico e aos riscos inerentes à atividade. Mineiros de subsolo, operadores de britadeiras subterrâneas, carregadores de rochas e perfuradores em cavernas poderão se aposentar após 15 anos de trabalho.

Outras categorias também podem ser beneficiadas

A proposta ainda contempla profissionais de diversos setores da economia. Entre eles estão motoristas de ônibus urbanos, rodoviários e de transporte de cargas perigosas, bombeiros civis e militares, trabalhadores da limpeza urbana, frentistas de postos de combustíveis, pescadores, aeronautas e agentes agropecuários que lidam diretamente com defensivos químicos.

Comprovação da atividade continua obrigatória

Mesmo com a possível ampliação das categorias beneficiadas, os trabalhadores precisarão comprovar a exposição permanente a condições prejudiciais à saúde ou à integridade física. Para isso, será necessário apresentar documentos como o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) e o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), emitidos pelas empresas empregadoras.

Pela regra prevista no projeto, o valor do benefício será calculado com base em 60% da média de todos os salários de contribuição do trabalhador. A esse percentual serão acrescidos dois pontos percentuais para cada ano de contribuição que exceder o tempo mínimo exigido para a aposentadoria especial.

Projeto aguarda votação

Atualmente, o PLP 42/2023 está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Após essa etapa, o texto seguirá para apreciação do plenário. A proposta enfrenta discussões relacionadas ao impacto fiscal nas contas públicas, mas continua recebendo apoio de sindicatos e parlamentares que defendem maior segurança jurídica para as categorias expostas a atividades de risco.

Para entrar em vigor, o projeto ainda precisará ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, além de receber sanção presidencial.

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