Salvador, 7 de setembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Qualidade dos óvulos é fator decisivo na preservação da fertilidade, alertam especialistas

A preservação da fertilidade tem ganhado cada vez mais espaço entre mulheres que desejam adiar a maternidade, seja por escolhas pessoais, profissionais ou por questões de saúde. Nesse cenário, um ponto ainda gera dúvidas, mas já é consenso entre especialistas: mais importante do que a quantidade de óvulos disponíveis é a qualidade dessas células, fator determinante para o sucesso reprodutivo. A capacidade de um óvulo gerar uma gravidez saudável está diretamente ligada à sua integridade genética, à sua capacidade de fertilização e ao potencial de desenvolvimento embrionário.

Na prática, isso significa que um número elevado de óvulos não garante, necessariamente, maiores chances de gestação. Com o avanço da idade, especialmente a partir dos 35 anos, ocorre uma queda progressiva na qualidade dos óvulos, associada ao aumento de alterações cromossômicas, o que pode dificultar a gravidez e elevar o risco de abortamento. Dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida apontam que a idade feminina segue como o principal fator de impacto na fertilidade, influenciando diretamente a qualidade dos óvulos ao longo do tempo. Esse cenário tem levado cada vez mais mulheres a buscar alternativas que permitam preservar seu potencial reprodutivo.

“O que realmente determina o sucesso reprodutivo não é apenas o número de óvulos, mas a qualidade dessas células. Com o passar do tempo, há um aumento no risco de alterações genéticas, o que pode comprometer tanto a fertilização quanto o desenvolvimento do embrião”, explica a especialista em reprodução assistida do IVI Salvador, Dra. Graziele Reis. Nesse contexto, o congelamento de óvulos tem se consolidado como uma importante estratégia de planejamento reprodutivo. A técnica permite que os óvulos sejam coletados em uma fase de maior qualidade (geralmente antes dos 35 anos) e utilizados no futuro, preservando as características biológicas do momento em que foram obtidos. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o número de procedimentos de reprodução assistida no país vem crescendo nos últimos anos, refletindo uma mudança no comportamento das mulheres, que buscam mais autonomia sobre o momento de engravidar.

“Quando falamos em preservação da fertilidade, estamos falando em estratégia. O congelamento permite que a mulher utilize, no futuro, óvulos com características de uma fase mais jovem, o que aumenta significativamente as chances de sucesso”, destaca a Dra. Graziele Reis. O avanço das técnicas laboratoriais também tem sido decisivo nesse processo. Atualmente, a vitrificação de óvulos é o método mais utilizado, por permitir um congelamento ultrarrápido que evita a formação de cristais de gelo, responsáveis por danos celulares em técnicas mais antigas. Com isso, os óvulos conseguem manter suas características estruturais e funcionais mesmo após o descongelamento, o que impacta diretamente nas taxas de fertilização e no desenvolvimento embrionário.

Embora a reserva ovariana, indicador da quantidade de óvulos disponíveis, seja um parâmetro importante na avaliação da fertilidade, especialistas reforçam que ela deve ser analisada em conjunto com a qualidade dessas células. Na prática clínica, é possível observar mulheres com boa reserva ovariana, mas com óvulos de baixa qualidade, o que reduz as chances de gravidez. Por outro lado, mesmo com uma quantidade menor, óvulos saudáveis tendem a apresentar melhores resultados. “A gente precisa mudar a lógica de olhar apenas para números. A fertilidade não pode ser avaliada exclusivamente pela quantidade de óvulos, mas pelo potencial real de cada um deles”, reforça a médica.

A decisão de preservar a fertilidade pode estar associada a diferentes fatores, como planejamento de carreira, ausência de parceiro, condições de saúde ou histórico familiar de menopausa precoce. Para os especialistas, o acesso à informação é essencial para que as mulheres possam tomar decisões mais conscientes sobre seu futuro reprodutivo. “Falar sobre fertilidade hoje é também falar sobre informação, planejamento e autonomia. Quanto mais cedo a mulher entende como funciona seu potencial reprodutivo, maiores são suas possibilidades de escolha ao longo da vida. A preservação da fertilidade surge como uma ferramenta que alia ciência e qualidade de vida, permitindo que decisões importantes sejam tomadas com mais segurança”, conclui a Dra. Graziele Reis.

Sobre o IVI – RMANJ

IVI nasceu em 1990 como a primeira instituição médica na Espanha especializada inteiramente em reprodução humana. Atualmente são em torno de 190 clínicas em 15 países e 7 centros de pesquisa em todo o mundo, sendo líder em Medicina Reprodutiva e o maior grupo de reprodução humana do mundo.

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