Dr. Gabriel Almeida chama atenção para pesquisas que relacionam semaglutida e tirzepatida a mudanças na relação com a comida, controle da impulsividade e possíveis impactos sobre ansiedade e depressão
As chamadas canetas emagrecedoras podem estar provocando mudanças no organismo que vão muito além da redução do peso. É o que aponta o Dr. Gabriel Almeida, referência no assunto e professor de médicos nas áreas de obesidade, emagrecimento, reposição hormonal, lipedema e terapias injetáveis, ao analisar estudos recentes sobre medicamentos como semaglutida e tirzepatida e seus possíveis efeitos sobre comportamento alimentar e saúde mental.
O especialista chama atenção para cinco possíveis impactos que vêm sendo observados e estudados pela ciência. Entre eles estão a redução dos pensamentos constantes sobre comida, o controle da compulsão alimentar, possíveis alterações na impulsividade, a influência do estabelecimento de metas no tratamento e, de forma ainda mais preliminar, possíveis efeitos relacionados a quadros de ansiedade e depressão.
Um dos fenômenos destacados por Almeida é conhecido como a redução do chamado “ruído alimentar”, quando a pessoa passa grande parte do dia pensando em comida, mesmo sem necessariamente estar com fome.
“Essas medicações, elas podem diminuir esses pensamentos.”
Segundo o médico, outro possível efeito está relacionado ao controle da compulsão e da vontade exagerada de comer. A ação das medicações pode ajudar algumas pessoas a reduzir episódios de consumo excessivo e a lidar melhor com desejos alimentares intensos.
“Você acaba não comendo em excesso, não tem aquela compulsão por doce.”
O especialista também chama atenção para uma possível relação entre essas medicações e o controle de determinados comportamentos impulsivos. Embora esse campo ainda demande investigação científica, a hipótese amplia a discussão sobre a atuação desses medicamentos para além do controle da fome.
Metas também podem influenciar o resultado
Outro ponto destacado por Gabriel Almeida envolve o comportamento do paciente durante o processo de emagrecimento. Segundo ele, pessoas que estabelecem objetivos claros para o tratamento parecem apresentar melhores resultados. “Eu quero perder 20 kg”, “eu quero perder 30 kg”.
A observação coloca o comportamento e a definição de metas como elementos que podem acompanhar o tratamento medicamentoso, em vez de considerar a medicação como uma solução isolada para a perda de peso.
Efeito sobre depressão e ansiedade ainda é estudado
O aspecto que mais chama atenção, segundo Almeida, está relacionado à saúde mental. O médico cita dados de estudos que investigam uma possível associação entre o uso de semaglutida e alterações na evolução de transtornos mentais.
“Um dos estudos citados encontrou uma associação entre o uso da semaglutida e um risco 42% menor de piora de transtornos mentais.”
O especialista, no entanto, ressalta que o resultado não significa que semaglutida ou tirzepatida possam ser consideradas tratamentos para depressão ou ansiedade.
“Isso não significa que essas medicações sejam tratamentos para depressão e para ansiedade. Esses efeitos ainda estão sendo estudados, mas esses dados levantam, sim, uma possibilidade muito interessante.”
Para Almeida, os achados abrem uma frente de investigação sobre a relação entre os medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, os mecanismos cerebrais envolvidos na alimentação e determinados comportamentos.
“As canetas emagrecedoras podem estar fazendo muito mais do que reduzir a fome e o peso. Elas podem também modificar a nossa relação com a comida, com os impulsos e com alguns comportamentos ligados ao cérebro!”
Um novo olhar sobre os medicamentos para emagrecimento
A discussão ganha relevância diante da expansão do uso de medicamentos como semaglutida e tirzepatida e da necessidade de compreender seus efeitos para além da balança. Para o especialista, os possíveis impactos comportamentais e neurológicos representam uma área que merece atenção da comunidade médica e novas pesquisas.
Dr. Gabriel Almeida
Médico formado pela Universidade Estadual de Alagoas, Gabriel Almeida tem formação em Cirurgia Geral, é pesquisador, escritor e professor de médicos nas áreas de obesidade, emagrecimento, reposição hormonal, lipedema e terapias injetáveis. É autor de livros voltados ao público geral e à formação médica e já soma mais de 8 mil alunos. Recentemente, tomou posse na Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura (ABRASCI), em cerimônia realizada no Congresso Nacional, em Brasília.
Fonte para entrevistas: Dr. Gabriel Almeida está disponível para falar à imprensa sobre os possíveis efeitos das canetas emagrecedoras na saúde mental, comportamento alimentar, compulsão, impulsividade e os avanços das pesquisas sobre semaglutida e tirzepatida.

